O uso do Antígeno Prostático Específico (PSA) continua controverso para a detecção do câncer de próstata, pois ele pode ”super” diagnosticar tumores que não apareceriam ao longo da vida de um homem, resultando em tratamentos não necessários e que podem piorar a qualidade de vida desses pacientes. Entretanto, em artigo publicado no The Lancet Oncology, Hugosson e colaboradores mostraram que, embora este ponto de vista seja válido, o PSA reduz as mortes pelo câncer de próstata em algumas circunstâncias.
O estudo de Jonas Hugosson, da Universidade de Gothenburg (Suécia), contou com a colaboração de 20 mil homens nascidos entre 1930 e 1944, divididos em dois grupos. A cada dois anos um dos grupos fazia a dosagem do PSA, enquanto o segundo grupo, conhecido como grupo controle, não fazia este rastreamento para o câncer de próstata. Caso o PSA resultasse em uma dosagem anormal pré-determinada, o paciente era encaminhado para o exame de toque retal, ultrassonografia da próstata e biópsias de acordo com a necessidade de cada um.
Após quatorze anos de análise, o PSA reduziu pela metade o risco de morte pelo câncer de próstata. O autor também observou que um grande número de exames de rastreamento era necessário para evitar uma morte. As análises estatísticas mostraram que 293 homens precisavam ser rastreados e 12 homens precisavam ser diagnosticados e tratados para resultar em uma morte a menos pelo câncer de próstata.
Em pesquisa semelhante (o European Randomised Study of Screening for Prostate Cancer (ERSPC), com média de nove anos de seguimento) houve uma queda de 20% no número de mortes relacionadas ao câncer de próstata com o uso do PSA.
Estes achados sugerem que os benefícios do rastreamento para o câncer de próstata com o PSA pode ser maior do que os riscos.
Fonte: The Lancet Oncology