Vitaminas são substâncias orgânicas que atuam no metabolismo. Não podem ser pruduzidas pelo organismo, por isso precisam ser ingeridas na dieta em pequena quantidade. Ainda há grande controvérsia a respeito de quando o suplemento dessas substâncias pode prevenir doenças como câncer, infecções do trato respiratório, patologias cardíacas e outras afecções comuns.
Ainda faltam evidências para recomendar sua prescrição para pacientes saudáveis, sem qualquer patologia ou carência alimentar. Apesar disso, não há uma política de controle para a venda desses medicamentos e parte da população ingere suplementos vitamínicos sem prescrição médica.
O suplemento de algumas vitaminas e minerais, antes considerado benéfico, atualmente demonstra ser danoso. Um exemplo é o uso de vitamina C, que até o momento não apresenta evidência conclusiva da prevenção de gripe, doença cardíaca ou câncer. Da mesma forma, a vitamina E não provou prevenir doença cardíaca ou câncer.
É interessante perceber que a maioria dos pacientes não considera as vitaminas e mineais uma medicação, e portanto não refere seu uso se não for questionado.
O uso indiscriminado de suplementos vitamínicos pode causar efeitos sérios efeitos adversos e interação medicamentosa, especialmente vitamina A, E, D, ácido fólico e niacina (B3).
Atualmente, muitos estudos têm sido feitos com a vitamina D, demonstrando a importância de sua suplementação. Mesmo em países tropicais, como o Brasil, uma grande parcela de indivíduos, sobretudo adolescentes e idosos, têm deficiência de vitamina D. Esta deficiência, mesmo subclínica, contribui para a presença de osteoporose, aumento do risco de quedas e fraturas em idosos, diminuição da função imune, dor óssea, câncer de cólon e aumento do risco cardiovascular.
Sendo assim, se faz necessária sua reposição com frequência.
É importante lembrar que a suplementação vitamínica somente deve ser feita quando há carência destas substâncias, ou dieta insuficiente, e sob orientação médica. A melhor fonte de vitaminas é a alimentação balanceada, e a ela devemos dar preferência.
As vitaminas são classificadas, de acordo com sua estrutura química, em hidrossolúveis e lipossolúveis. Abaixo, um resumo sobre cada uma delas.
Vitaminas hidrossolúveis:
Tiamina (B1)
É encontrada em cereais, legumes, arroz, leveduras, carne suína.
Sua deficiência causa béri-béri, síndrome caracterizada por neuropatia periférica simétrica, e que pode estar associada acardiomiopatia, insuficiência cardíaca congestiva, edema periférico e taquicardia. Beri-beri também é descrita como uma das complicações da cirurgia bariátrica, se apresentando com polineuropatia, sensação de queimação, fraqueza e quedas.
Dose diária recomendada: 1.1 a 1.4mg/ dia.
Riboflavina (B2)
É encontrada em carnes, peixes, ovos, leite, vegetais verdes e leveduras.
A deficiência de riboflavina é comum mas pouco diagnosticada em virtude da inespecificidade dos sintomas: dor de garganta, hiperemia da mucosa faríngea, edema de mucosas, queilite, estomatite, glossite, dermatite seborréica, anemia normocítica e normocrômica. A deficiência isolada é rara, pois geralmente vem acompanhada da carência de outras vitaminas hidrossolúveis.
Dose diária recomendada: 1.3 a 1.6mg/dia.
Niacina (B3)
Amplamente encontrada em carnes e vegetais (leveduras, carnes, especialmente fígado, cereais, legumes, e sementes).
A deficiência de B3 causa a pelagra, que é uma dermatite pigmentada, fotossensível, tipicamente localizada em áreas expostas ao sol. Outros sintomas são diarréia, demência, insônia, ansiedade, desorientação e encefalopatia. Ainda é comum em países pobres, por carência alimentar. Em países desenvolvidos, é comum em pacientes etilistas, com anorexia nervosa, ou como complicação da cirurgia bariátrica. Outras situações em que ocorre deficiência de B3 são síndrome carcinóide e uso prolongado de isoniazida.
Dose diária recomendada: 14 a 18mg.
Ácido Pantotênico (B5)
Os alimentos mais ricos em B5 são gema de ovo, fígado, rim, brócolis e leite. Há concentrações substanciais em aves, carne vermelha, batatas e grãos. Também é produzido pelas bactérias do cólon.
A deficiência do ácido pantotênico é rara em humanos, a não ser em situações de fome extrema e guerra. As manifestações clínicas incluem parestesia distal e desestesia, chamada de “síndrome de queimor dos pés”.
Dose recomendada: 5 a 7mg/dia.
Piridoxina (B6)
Predominantemente encontrada em vegetais, carnes, grãos, castanhas.
Deficiência de B6 causa anemia, estomatite, glossite, queilose, irritabilidade, confusão mental e depressão. Na gestação e em algumas doenças como asma, diabetes, alcolismo, doença cardíaca, câncer de mama, linfoma de Hodgkin e anemia falciforme, ocorre depleção de B6. Pacientes em uso de isoniazida necessitam de suplementação de piridoxina(10mg/dia).
Pacientes com síndrome de Down, autismo, diabetes gestacional, síndrome do túnel do carpo, tensão pré-menstrual, depressão e neuropatia diabética, têm sido tratados com piridoxina, com resultados variáveis.
Dose diária recomendada: 1.3 a 2.0mg
Biotina
Fígado, gema de ovo, soja e levedura são as principais fontes. A biotina também é produzida por bactérias da flora intestinal.
Sua deficiência pode ser adquirida ou congênita. Se manifesta com sintomas inespecíficos: mialgia, confusão mental, disestesia, anorexia e naúseas.
Deficiência crônica de biotina causa defeito no metabolismo de ácidos graxos de cadeia longa, o que ocasiona alterações dermatológicas como dermatite maculoescamosa, dermatite seborréica e alopecia.
Dose diária recomendada: 30mcg.
Vitamina B12
Fontes: levedo de cerveja, cereais integrais, leite, vegetais verdes, batatas, peixes, ovos, carnes.
A deficiência de B12 geralmente está relacionada a dificuldade de absorção. As principais causas de má-absorção são: anemia perniciosa (secundária a gastrite atrófica e formação de auto-anticorpo contra o fator intrínseco), gastrectomia, cirurgia bariátrica, acloridria, infecção por Helicobacter pylori, destruição da flora intestinal pelo uso de antibióticos, uso de medicação (biguanidas, antiácidos, inibidores de bomba de prótons e bloqueadores H2), síndrome de Sjogren, etilismo crônico, falência pancreática exócrina e doença ileal.
Os sinais e sintomas são: pancitopenia sem causa aparente, macrocitose eritrocitária (com ou sem anemia), hipersegmentação dos neutrófilos, sintomas neurológicos (demência, fraqueza, ataxia, parestesia).
Idosos, etlistas, vegetarianos, pacientes pós gastroplastia e HIV positivos estão sob maior risco de deficiência de B12. Na gestação os níveis de cobalamina caem sem que haja necessariamente evidência hematológica de deficiência.
Dose diária recomendada: 2.4 a 2.6mcg
Ácido fólico
Fígado, carne bovina, feijão, batata, folhas verdes escuras, especialmente brócolis, espinafre e aspargo.
São situações em que há carência de folato: gestação, consumo de álcool, uso de alguns anticonvulsivantes.
A deficiência de folato se manifesta por anemia megaloblástica.
Para reposição de folato a via oral é suficiente, mesmo nos pacientes com má absorção. A dose recomendada é de 1 a 5mg/dia, de um a quatro meses, ou até recuperação hematológica.
Reposição de altas doses de folato está associada a aumento do risco de câncer.
Vitamina C
A vitamina C tem importante papel na história. As manifestações clínicas do escorbuto foram descritas desde a antiguidade pela literatura egípcia, grega e romana.
As fontes principais são frutas cítricas, tomate, batata, couve-flor, brócolis, espinafre, morangos, repolho.
O escorbuto é a síndrome clínica causada pela deficiência de vitamina C, e está relacionada a má produção de colágeno e desordem do tecido conectivo. Os sintomas incluem equimoses, sangramento gengival, petéquias, alteração dos cabelos, hiperceratose, síndrome de Sjogren, artralgia, dificuldade de cicatrização. Sintomas gerais como astenia, náuseas, edema articular, depressão, neuropatia e instabilidade vasomotora, também podem estar presentes.
São descritas ações terapêuticas e profiláticas da vitamina C em relação à aterosclerose, câncer e resfriado comum. Contudo, ainda não há evidência científica desses benefícios.
Pacientes com predisposição a nefrolitíase ou em tratamento dialítico devem evitar uso excessivo de vitamina C.
Dose diária recomendada: 75 a 90mg/dia.
Vitaminas lipossolúveis:
Vitamina A
Folhas verdes, gema de ovo, fígado, manteiga.
Existem duas formas principais de vitamina A: provitamina A (betacaroteno e outros carotenóides), encontrada nas plantas (folhas verdes); e vitamina A preformada (retinol, retinal, ácido retinóico e retinil ésteres), encontarada em fontes animais (fígado,rim, gema de ovo, manteiga).
Cegueira noturna, amaurose, xeroftalmia, crescimento ósseo deficiente, problemas dermatológicos inespecíficos, como hiperceatose e destruição do folículo capilar, prejuízo do sistema imune (através de sua ação nos fagócitos e células T), são a consequência da falta de vitamina A.
Dose recomendada: máximo de 10.000UI/dia ou 25.000UI/semana.
Vitamina D
A luz do sol e os raios ultra-violeta transformam a provitamina D em vitamina D3 (forma ativa da vitamina D). As fontes alimentares são: leite, peixes, óleo de fígado de bacalhau, cereais e ovos.
A falta de vitamina D leva à redução da absorção intestinal de cálcio e fósforo. A hipocalcemia persistente causa hiperparatiroidismo secundário, que leva à fosfatúria e desmineralização óssea, ocasionando raquitismo na criança e osteomalácia no adulto.
Esta deficiência, mesmo subclínica, contribui para a presença de osteoporose, aumento do risco de quedas e fraturas em idosos, diminuição da função imune, dor óssea, câncer de cólon e aumento do risco cardiovascular.
Dose diária recomendada: 400 a 1000 UI/ dia.
Vitamina K
Folhas verdes, como brócolis, espinafre, couve, alface, repolho, no fígado de porco, e nos cereais.
A vitamina K tem como principal função sua participação na cascata de coagulação. Ela é essencial para ativação dos fatores VII, IX, X e protrombina, através da carboxilação desses fatores. As proteínas C e S, anticoagulantes naturais, também requerem vitamina K para sua atividade.
Os sintomas da deficiência de vitamina K incluem sangramento de mucosa, melena, hematúria, distúrbio de coagulação. Sua deficiência é rara em adultos saudáveis, uma vez que há grande oferta nos alimentos e produção pela microflora do íleo terminal. Contudo, pode ocorrer hipovitaminose após uso uso de algumas drogas, como por exemplo os antibióticos.
Dose diária recomendada: 90 a 120 microgramas.
Vitamina E (Tocoferol)
Fontes: óleos, carne, ovos, folhas verdes.
Nas últimas décadas muitos estudos tentaram comprovar a ação dos antioxidantes, sobretudo da vitamina E, para prevenção de aterosclerose. Contudo ainda não há evidência de que a suplementação desta vitamina seja capaz de prevenir doença cardíaca. Também não parece ser benéfica para evitar câncer, demência, acidente vascular encefálico, ou doença hepática. Alguns estudos demonstraram aumento de mortalidade em pacientes que fizeram suplementação do tocoferol. Embora controverso, existem evidências de benefício da suplentação dessa substância para tratar catarata e degeneração macular relacionada ao envelhecimento.
Como há grande quantidade de tocoferóis na dieta, é incomum deficiência de vitamina E. As manifestações clínicas são hemólise, disordens neuromusculares, ataxia e neupatia periférica.
Dose diária recomendada: 15mg
Outras vitaminas e pseudovitaminas
Lecitina, colina, inositol, carnitina, ácido lipóico, flavanóides e carotenóides são classificados como vitaminas porque não podem ser sintetizados pelo organismo. Porém são amplamente encontrados na dieta, e sua deficiência é rara.
Pouco suporte literário, apesar de amplamente utilizados: gerovital (vitamina H3), laetrile (B17), acido pangâmico (B15).
Karine Miranda – Geriatra e Clínica
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