A síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS) é uma doença crônica, comum, que muitas vezes exige cuidados ao longo da vida. As principais características da SAOS em idosos incluem:
• Padrões respiratórios irregulares e anormais durante o sono, incluindo apnéia obstrutiva (pausas respiratórias), hipopnéias ou esforço respiratório relacionado ao despertar.
• Sintomas diurnos atribuíveis ao sono perturbado, como sonolência, fadiga, falta de concentração e déficit de memória.
• Sinais de perturbações do sono, como roncos e agitação.
Apnéia do sono é uma condição séria que pode afetar a capacidade de uma pessoa em executar com segurança as atividades diárias normais e podem afetar a saúde a longo prazo. É uma desordem importante porque os pacientes estão em risco aumentado para a perda cognitiva e para disfunção de outros sistemas orgânicos, devido a hipoxemia durante o sono ao longo de meses à anos. Existe um risco aumentado de mortalidade nos pacientes portadores de doenças cardiovasculares e apnéias graves, traduzidas por um índice de apnéia e hipopnéia (IAH) maior que 30.
A prevalência da SAOS na população geral é de aproximadamente 20 por cento se definido como um índice de apnéia e hipopnéia maior que cinco eventos por hora (o IAH é o número de apnéias e hipopnéias por hora de sono). Há duas a três vezes maior prevalência entre os indivíduos com 65 anos ou mais, em comparação com aqueles que de 30 a 64 anos. Os homens são mais acometidos que as mulheres.
Os principais fatores de risco SAOS incluem: obesidade, anomalias craniofaciais, das vias aéreas superiores e alterações dos tecidos moles. Potenciais fatores de risco incluem a hereditariedade, tabagismo, congestão nasal e diabetes.
Os roncos e a sonolêcia diurna são os principais sintomas. Outros sinais e sintomas incluem sono agitado, períodos de silêncio alternados com roncos altos, falta de concentração e déficit cognitivo, angina noturna, e despertar com sensação de sufocamento. A gravidade dos sintomas vai variar com a intensidade da apnéia.
O diagnóstico é realizado através da suspeita clínica e confirmado através da polissonografia. Este exame é realizado em clínicas do sono ou hospitais. No entanto, o estudo em domicílio, através de aparelhos portáteis, é uma alternativa aceitável para alguns pacientes que estão com suspeita de SAOS.
Há várias intervenções que podem beneficiar pacientes com SAOS. Estes incluem alterações de comportamento e terapias específicas, como por exemplo os aparelhos com pressão positiva (CPAP e BiPAP), aparelhos orais e cirurgia. O objetivo do tratamento é manter as vias aéreas abertas durante o sono. O tratamento eficaz vai eliminar os sintomas associados ao distúrbio do sono, além de reduzir as consequências a longo prazo para a saúde, como o risco aumentado para desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica. O desafio para o médico e o paciente é escolher uma terapia eficaz e aceitável a longo prazo para o paciente.
Algumas recomendações são importantes para reduzir o risco da SAOS: perder peso, evitar o uso de sedativos e álcool, posicionamento adequado durante o sono e utilizar dispositivos dentários que possam reposicionar a mandíbula.
Marcelo Cabral – Geriatra e Clínico
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