As neoplasias em menores de 15 anos, envolvem em 19% dos casos o sistema nervoso central (SNC). São o segundo maior grupo de câncer infantil, depois das leucemias, constituindo, nesta faixa, o maior grupo de tumores sólidos. Os tumores cerebrais têm maior probabilidade de levar à morte (45%) do que o conjunto de todas as leucemias (42%) e representa a terceira causa de óbito nos Estados Unidos.
As neoplasias cerebrais são patologias clinicamente importantes pela sua gravidade e pela dificuldade do diagnóstico e tratamento precoces. O diagnóstico requer exames de alta tecnologia e tratamento de elevada complexidade que envolve uma equipe médica multidisciplinar.
Doenças malignas da infância, porém, por serem predominantemente de natureza embrionária, são constituídas de células indiferenciadas, o que determina, em geral, uma melhor resposta aos métodos terapêuticos atuais. Assim, crianças e adultos jovens que apresentam tumores do SNC têm melhor prognóstico do que indivíduos mais velhos, independentemente do tipo histológico do tumor.
Baixa idade e menor grau patológico são, em geral, fatores favoráveis ao prognóstico dos tumores cerebrais primários. Outros preditores de prognóstico favoráveis menos significativos incluem longa duração dos sintomas, ausências de alterações mentais no momento do diagnóstico, localização cerebelar do tumor, pequeno tamanho no pré-operatório e completude da ressecção cirúrgica.
O glioblastoma raramente ocorre antes dos 15 anos, mas sua incidência aumenta significativamente depois dos 45 anos. Em contraste, o meduloblastoma e outros tumores embrionários são incomuns depois dos 20 anos de idade.
Novidades no tratamento cirúrgico
Neuronavegador
Mais recentemente, a utilização do neuronavegador tem auxiliado as cirurgias. Os procedimentos são feitos com o suporte de um programa de computador, carregado com as imagens de ressonância magnética do paciente. Essas imagens são adaptadas à posição da cabeça do paciente durante a cirurgia, ajudando o cirurgião a localizar exatamente os limites do tumor durante a operação. Conforme o médico manipula o cérebro do paciente, é possível visualizar, através do neuronavegador, o local que está sendo manuseado.
Ressonância nuclear magnética intraoperatória
A ressonância nuclear magnética (RNM) intraoperatória é uma nova técnica que começa a ser implantada no Brasil em instituições como o Hospital das Clínicas e o Hospital Sírio-Libanês.
A técnica consiste em um aparelho de RNM normal, instalado dentro do centro cirúrgico e utilizado durante a neurocirurgia.
Muitas vezes, conforme os procedimentos cirúrgicos vão sendo realizados, as estruturas cerebrais alteram suas localizações. No caso do neuronavegador, a imagem do cérebro representada no computador no início da cirurgia pode deixar de ser compatível com o cérebro do paciente ao longo dos procedimentos, variação que pode chegar a ser maior que um centímetro.
A possibilidade de realizar o exame de RNM intraoperatória permite a atualização das imagens do cérebro durante sua manipulação, melhorando muito a qualidade da cirurgia, afirma Dr. Félix Pahl.
Blue 400
A utilização da substância fluorescente Blue 400 em neurocirurgias é outro procedimento que já está em uso na Europa e nos Estados Unidos, mas que ainda não foi liberado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A substância fluorescente é injetada na corrente sanguínea e alcança os vasos do tumor cerebral. Com a utilização de um filtro microscópico, é possível visualizar e diferenciar o cérebro normal (coloração azulada) do tumor (coloração avermelhada), facilitando a visualização dos limites tumorais durante sua ressecção. A técnica é mais eficaz em casos de tumores bastante vascularizados.
Fonte: Revista Pesquisa Médica