A previsão para 2010, é que Brasil tenha um saldo de mais de 2,2 milhões de mortes provocadas por armas de fogo e acidentes de trânsito, a maioria envolvendo jovens de até 30 anos.
Até quando as emergências do país terão de praticar uma medicina de guerra? Os números brasileiros vinculados ao trauma chocam. Só em 2008, o Sistema Único de Saúde registrou mais de 760 mil internações enquadradas nessa categoria de ferimento, que é tratada nas estatísticas como lesões por causas externas. Destas ocorrências, é certo que muitas tiveram como desfecho óbitos ou sequelas permanentes e outras tantas levaram as vítimas à invalidez temporária. “Embora faltem estudos mais aprofundados, estima-se que acidentes e agressões produzam no mínimo 600 mil feridos por ano no país, sendo que 12 mil deles ficam incapacitados”, calcula a médica fisiatra Júlia Greve, coordenadora do Laboratório de Movimento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP. “São pelo menos três a quatro feridos para cada morte provocada por agentes externos, além da alta prevalência de estresse pós-traumático desenvolvido por pessoas relacionadas indiretamente às vítimas da violência, como é o caso de policiais, socorristas e transeuntes”.
Os dados de mortalidade do país são ainda mais aterradores. Segundo as estatísticas mais recentes divulgadas pelo Ministério da Saúde, o número de óbitos por causas externas chegou a quase 130 mil no ano de 2006. O espantoso é que 70% a 80% dessas mortes foram provocadas por homicídios, colisões de veículos, quedas de motocicleta e atropelamentos. E o pior: três de cada cinco vítimas têm menos de 39 anos. “São números de guerra”, resume o historiador e pesquisador médico Luís Mir, que é um dos fundadores do Projeto Trauma, um foro de discussão sobre o atendimento ao trauma criado em 2004 com participação de seis sociedades médicas e cerca de 30.000 médicos de emergências no país inteiro. “O problema é que baleados, esfaqueados, atropelados, queimados e traumatizados em geral, embora sejam minoria entre os pacientes que dão entrada em prontos socorros, acabam consumindo mais de 60% dos recursos destinados ao atendimento hospitalar. Isso significa que os custos das vítimas da violência inviabilizam o sistema de saúde do país.”
Fonte: Revista Pesquisa Médica