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Privação de sono

Privação de sono pode estar associada à síndrome metabólica, obesidade, distúrbios respiratórios, cognitivos e comportamentais em crianças

A associação entre as mudanças nos hábitos de sono e o ganho de peso tem chamado a atenção da ciência. Estudos recentes mostram que crianças com privação de sono ou tempo de sono reduzido apresentam uma tendência ao aumento de peso – e que, por sua vez, o sobrepeso causaria efeitos deletérios à noite dos jovens. Os pesquisadores tentam esclarecer os mecanismos fisiológicos dessa relação, ainda alvo de controvérsias. A questão da tendência ao sobrepeso é relativamente nova e a relação entre a diminuição do tempo de sono e o aumento de peso ainda não está totalmente estabelecida. Alguns especialistas afirmam que a questão estaria sendo superestimada. A ciência médica tenta agora relacionar os fatores e mensurar o tamanho do problema. Sabe-se que a privação do sono leva a alterações hormonais envolvidas nos tanto no crescimento quanto na obesidade: a alteração do padrão de sono muda o metabolismo infantil em ambos os casos.

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Harvard, Estados Unidos, pelo grupo de Elsie Taveras, comparou os hábitos de sono de 915 crianças entre seis meses a dois anos de idade com o seu tamanho e peso. Foi observado que crianças que dormiam por menos tempo apresentavam um ganho excessivo de peso.

A obesidade resulta do desequilíbrio entre o gasto e a captação de energia e a sua regulação envolve fatores que controlam a fome, a digestão, a saciedade e os estoques energéticos orgânicos. Indivíduos que dormem poucas horas por noite apresentam uma redução de 15% nos níveis de leptina e um acréscimo similar na concentração de grelina, de acordo com um trabalho desenvolvido na Universidade de Bristol (Inglaterra), por Shahrad Taheri e seus colaboradores.

Sabe-se que a leptina, hormônio produzido pelos adipócitos, liga-se ao núcleo ventromedial do hipotálamo, conhecido como centro do apetite, e sinaliza para esse que o organismo está saciado. A leptina inibe neurônios produtores do neuropeptídeo Y, relacionado aos sinais de fome, e é responsável pela secreção do hormônio estimulador dos melanócitos (αMSH), um mediador da saciedade.

A grelina, por sua vez, é um hormônio peptídico produzido pelo estômago e pela porção inicial do intestino delgado, com a função de estimular a captação de alimentos e a síntese de hormônio do crescimento ou somatostatina, indutora da multiplicação celular, que é produzida principalmente durante a primeira fase do sono.

O outro lado da questão

Síndrome metabólica, níveis elevados de triglicérides e aumento do LDL-colesterol, juntamente com o aumento de peso, por sua vez, produzem prejuízos ao organismo que podem se manifestar durante a noite. Entre os casos mais freqüentes está a apnéia obstrutiva do sono. A interrupção da respiração e do sono relacionada ao problema costuma causar noites mal-dormidas e, como conseqüência, a criança apresentar sonolência diurna. Reduções na qualidade e quantidade de sono interferem no desempenho escolar, trazem comprometimentos cognitivos e alterações no comportamento durante o dia.

Fonte: Revista Pesquisa Médica

2018-04-14T05:23:40+00:00

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