O tabagismo parece estar associado a um maior risco de pancreatite aguda ou crônica, de acordo com os resultados de um estudo ecológico, observacional, de coorte, da revista Archives of Internal Medicine.
“Álcool e a litíase biliar são os fatores de risco mais bem estabelecidos de pancreatite”, escreve Janne Schurmann Tolstrup, MSc, PhD, da University of Southern Denmark em Copenhague, e colaboradores. “O tabagismo é raramente considerado como causa, apesar do fato de alguns estudos indicarem o oposto. Nós objetivamos avaliar os efeitos independentes do tabagismo sobre o risco de pancreatite”.
A coorte consistia de 9.573 mulheres e de 8.332 homens, na Dinamarca, que se submeteram a exame físico e ao preenchimento de questionários pessoais sobre hábitos de estilo de vida, no início do estudo, e que foram acompanhados por uma média de 20,2 anos. O relacionamento de dados com os registros nacionais dinamarqueses permitiu a determinação de casos incidentes de pancreatite aguda e crônica.
Durante o acompanhamento, houve 235 casos de pancreatite. Não houve relação dose-dependente entre o tabagismo e o risco do quadro agudo ou crônico, tanto em homens, quanto em mulheres. Entre aqueles que fumavam 15 a 24 g de tabaco por dia, o risco potencial (RP) de desenvolver pancreatite foi de 2,6 (intervalo de confiança
Embora o consumo de álcool tenha sido associado ao maior risco de pancreatite (RP, 1,09; IC 95%, 1,04 – 1,14 para cada dose adicional por dia), o risco relacionado com o tabagismo foi independente do alcoolismo e da presença de litíase biliar. Nesta coorte, o hábito de fumar contribuiu para, aproximadamente, 46% dos casos da doença.
As limitações deste estudo incluem a ausência de validação dos diagnósticos de pancreatite no Registro de Alta do Danish Hospital, possível erro na classificação entre a doença aguda e a crônica e falta de informações quanto a sua causa.
“Nesta população de homens e mulheres dinamarquesas, o tabagismo foi independentemente associado ao maior risco de pancreatite”, escrevem os autores do estudo. “Este risco não dependia do consumo de álcool, nem da presença de litíase biliar, que são os fatores considerados como principais causas da doença”.
A Danish National Board of Walt e o Danish Medical Research Council forneceram apoio a este estudo. Os autores não declararam relações financeiras relevantes.
Autora: Laurie Barclay, Médica.
Fonte: Medscape Medical News